IMAGEM DO FIM
prosa poética - Sonia Pallone
"...A luz forte do sol entrou na sala pelas venezianas...Respirei fundo, enchi os pulmões de ar... Podia me perceber, ver meus pés, meus braços; lá estava eu... Tudo havia terminado, mas eu continuava ali, no mesmo palco onde se desenrolou nossa história. Foi como se um vinho quente fluisse através de mim, deixando-me numa embriaguez modorrenta,elétrica... Despedi-me dos fatos que culminaram naquele momento, sentindo que alguma coisa ainda ficava ali, testemunhando aquele fim sob a superfície do meu entendimento, aguardando que eu a alcançasse e sentisse... A porta continuou trancada, impassível e enigmática, apenas ressoando a batida forte que ficou no ambiente...Através do vidro da janela, vi um pedaço de céu perfurado pelas pontas verdes, afiadas dos pinheiros... A manhã se fez crepúsculo e o crepúsculo se fez noite de lua cheia, prateada.... Sufoquei. Estava presa sob um provocante retângulo de noite e de uma atmosfera que me envolveu com seu abraço compacto, esmagador..."