31 de mar de 2009

IMAGINANDO-TE
Soni@ Pallone


"...Nas tuas margens
reflete o meu desejo, ausente...

Na saudade que ainda não veio,
fertilizo um amor que não fala,
mas responde "sim"...

Agrido um horizonte
construindo um reduto
e caminho no teu rosto imaginário
esculpindo-te com as mãos...

Seu corpo, planície aberta,
retiro de sonhos
para os meus desvãos..."


23 de mar de 2009


Palavra Muda
Soni@ Pallone

"...Dói tanto saber
Que este silêncio tolo que se arrasta comigo
Cresce no dia a dia,
Me envolve, assombra e arrepia
Dança, embebeda e nem assim
me serve de consolo...

Dói-me saber
que esta palavra muda
Que escorrega tranquila na garganta,
Provoca, fere e me espanta o interior...
Remexe, brinca e não resolve,
nada muda...

Dói-me saber enfim
Que amordaçada, a boca se reprime
E acorrentados,
os pés e mãos de gestos descontentes
Desistem da luta,
Adormecem,
E eu fico com a minha dor
sem saber de nada..."

20 de mar de 2009


FALANDO DE AMOR
Soni@ Pallone


"...Quiz ser só eu no descompasso inicial
do teu sonho de amor...
Ave fugitiva que chegou depois
fazendo de nós, algo novo e antigo,
um pára-brisas limpando
permanentemente a chuva do que passou...
Amor anônimo...
Uma rosa-dos-ventos linda e louca
refletida em nossos olhos tão comprometidos e
despercebidos por outros...
Jogamos fora as fórmulas
e entramos de cabeça
num amor de loucura,
sem perceber ao certo
que um dia o sonho acabaria
e que a realidade
tão veementemente ignorada
seria aquela que nos acolheria
após negarmos o nosso chão..."

18 de mar de 2009

RETIRANTE
Soni@ Pallone


"...Andarilho de passos incertos
que não tem hora de chegar
nem teve tempo de partir...
Parado, assim, no meio do caminho
feito palavras ditas em pedaços,
sem aconchego nos versos,
sem melodia na canção...
Eu já te amava há muito tempo,
só não sei onde nem quando...
Um amor de desencontro perturbado e silencioso
De passos trôpegos pela estrada contrária...
Amor que ficou no meio...

Corpo. Ponto de partida ...
Coração. Refúgio dos meus medos...
Lugar sagrado para os nossos tantos
e infinitos segredos..."

16 de mar de 2009

Lembrança sem Voz
Soni@ Pallone

"...Sou um grito de socorro sem a garganta gritante
Visgo do fogo simulado
Gemido de criança com medo...
A mão que me feriu morreu,
não viveu pra acarinhar...
Densas nuvens flutuam sobre essas lembranças,
enquanto consumo o quinhão que me resta,
ocultando em meu corpo
rumores habitados
nas veias do meu silencio..."

11 de mar de 2009


REFLETIDA NO ESPELHO
Soni@ Pallone


"...Pensar que é encontro,
mas é desencontro...
Esconder o pranto de vergonha
e plantar um canto na garganta...
A esperança é remota,

a vida é vaga e novamente eu tento
sem querer me enganar...
Buscar sentido
no que já não faz mais sentido...
Forço a lembrança do que já não é
e somente no espelho me acho...
Renego meus olhos vermelhos
cabelos tingidos,
o rosto marcado,
coração apertado...
O espelho não tem culpa
de me mostrar infeliz...
Ingrato e irreverente
deformou minha esperança
e agora me angustia...
E sai noite e entra o dia
em sã consciência me calo...
Chega a nostalgia e me bate à porta,
levando consigo a calma
de ver exposta minh'alma
no espelho que me engoliu,
que me olhou de frente
e mesmo assim
não me viu..."



10 de mar de 2009


FILOSOFIA
Soni@ Pallone

"...Ah! o meu tempo!..
Só me traz solitário
o instante de haver e a razão de ficar...
Vou mudar meu caminho e renovar minha prece
Esquecer o antes e o depois
e viver durante um segundo
a razão da memória,
a esperança de haver
e a vontade de querer simplesmente...
Mesmo porque,
a vida sempre se acaba um dia
e com ela todos os temores,
todos os pecados,
toda a agonia..."
Coração Poeta
Soni@ Pallone


"...É branca a tela.

De vez em quando a luz indireta escreve

nesse curto espaço

à sombra da minha inspiração...

E eu desenho

os rabiscos desconexos

que traçam,

meu louco coração poeta..."




AOS AMIGOS QUE FIZ
Soni@ Pallone


"...Aos meus amigos amei
com a ternura despida do egoismo...
Dispersa de uma vigília incômoda,
fatigada de carinho...
Enquanto uns se afastavam,
outros vinham pela mesma estrada
das almas gemeas...
Nunca questionei a Deus, a precoce partida de uns
nem deixei de entender porque outros se afastaram...
Sempre deixei que meu coração se abrisse
para o gentil abraço,
para o toque delicado das mãos,
para a confissão despreparada...
Se pouco dei,
mesmo assim me doei muito...
Partilhei verdades, culpas, segredos...
Enxuguei prantos e chorei momentos...
Aos amigos nada exclui ou exagerei,
fui inteira em cada gesto e hoje
minh'alma alegre se envaidece
de ter sido abrigo da solidão de tantos...
Se fiz inimigos não sei...
Sei que amigos tive...
E se agora, em algum momento,
grito aos ventos um nome querido,
os pássaros percebem e voam aos bandos
acordando silêncios
nos descampados sem fins da saudade..."
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