20 de jan. de 2012
APENAS POESIA
1 de mar. de 2011
PÁSSARO FERIDO...

Pássaro Ferido
Sonia Pallone
"...Me olhei no grande espelho da vida...
No pensamento, as impressões registradas pelo meu cérebro
se abriam como um baralho de cartas coloridas,
e do porão do passado, a poeira escapava,
brilhando no sol da memória...
Deixei que o pequeno exército de lembranças
fizesse uma coreografia de cirandas melódicas,
enquanto as idéias giravam como moinhos de ventos...
Fechei os olhos e relaxei...
Pela lente da lucidez vi a exatidão das coisas...
Era a realidade! Senti sua lâmina cortante.
E de repente, percebi, que as coisas se embaçavam
como um vidro de espelho no banheiro...
Tudo se transformava num ponto de interrogação,
ou em uma desconfiança incômoda...
Duvidei do que vi e ouvi e por trás das frases
passei a perceber um sentido duplo...
Meu espelho me devolvia uma imagem turva
com os defeitos em saliente alto-relevo.
Triste como um colibri e frágil como uma haste
me encolhi e chorei por todas as dores
que não havia percebido...
Disfarcei o excesso de emoção e me deixei embalar
como um pássaro machucado
diante de um ninho vazio..."


